segunda-feira, 18 de julho de 2011

Harry Potter e as relíquias da morte parte 2


Foram 8 filmes em 10 anos numa das maiores empreitadas artísticas e comerciais de todos os tempos e em todas as artes. A saga cinematográfica de Harry Potter pode, por algum motivo que desconheço, não agradar a todos, mas é impossível negar que é um dos marcos da história do cinema.

A saga de Harry Potter não marcou uma geração apenas pelo seu mundo fantástico, por sua magia e beleza, nem mesmo somente pela inegável inventividade da autora que criou a história, mas também, e digo por mim que principalmente, por seus personagens e David Yates sabia disso e em cada momento do filme ele nos deu isso, aquelas pessoas tão queridas para nós, no momento mais importante e significativo de suas vidas.
O filme não é perfeito, como nenhum dos 8 filmes foram, todos desde que Cuaron assumiu tem alguns erros, embora muito mais acertos, e nesse último não é diferente, dito isso falarei dos erros primeiro, pois são menores e mais rápidos.

David Yates tem um problema que persiste desde seu primeiro filme na franquia, ele é muito frio e pouco emocional, ele remediou um pouco sua frieza no Enigma do Príncipe e ela quase abandonou o contemplativo As Relíquias da morte parte 1, mas na segunda parte do fim da franquia, sua frieza retorna um pouco. Não é difícil ver as pessoas chorando dentro do cinema, mas é provavelmente por estar testemunhando o fim, do que por ter sido provocada emocionalmente pelas imagens na telona, exceto talvez o epílogo do filme, que leva os olhos a lacrimejarem um pouco, embora muito mais por seu significado emocional do que por sua concepção artística, apesar dessa concepção ter colaborado muito.

O segundo grande problema do filme é sua estrutura, bem na verdade ela não existe, a decisão de dividir o filme em duas partes foi ao mesmo tempo funcional e prejudicial, enquanto muitos reclamaram da primeira parte do filme ser contemplativa e parada demais, nesse novo filme a narrativa é corrida demais, é como se nós estivéssemos assistindo a um filme que só tem o terceiro ato, provavelmente assistir as duas partes em sequencia, sem pausa alguma, deve ser uma experiência sem par para os fãs.
Fico também em duvida se estou feliz ou triste pelos filmes terem acabado, pois a estética de Yates ficou cada vez mais aguda desde que ele assumiu a série, e ela chegou a tal ponto que estava desgastada, serviu perfeitamente para esse filme, mas se tivéssemos mais um pela frente, provavelmente seria repetitivo ver o filme novamente guiado pelo mesmo diretor da mesma forma como ele fez até agora, e isso ao mesmo tempo seria algo que me perturbaria, pois conflitantemente não gostaria que ninguém mais tocasse no filme.

O roteiro de Steve Kloves continua furado, como sempre, a escala de furos de roteiro aqui é menor, pois tudo esta incorrendo em um único caminho, mas certas coisas aparecem do nada, sem explicação alguma, e certas coisas são tidas como certas e já conhecidas do publico geral, é notável a tentativa de Kloves em não usar diálogos expositores, como um Shyamalan nem pensaria duas vezes em fazer, mas deixar algo mal explicado também não era uma boa opção. 
A frieza de Yates pode banalizar algumas mortes importantes, eu não li o último livro, embora soubesse 99% do que aconteceria, mas fiquei chocado ao ver dois personagens que eu adorava, mortos, e eu simplesmente os vi no chão por um segundo e nada mais foi dito, mas em compensação isso valoriza todo o resto, dificilmente um diretor comum, como Mike Newell (do ótimo 4° filme.) faria um filme tão sério como esse. A maioria estaria tentada a arrancar lágrimas fáceis do publico e tudo descambaria para o melodrama (imaginem a choradeira que seria com Spielberg na direção.), ou talvez nas mãos de outro o filme descambaria para uma ação descerebrada e sem fim.

A melancolia do filme é quase palpável, a câmera do diretor permite que vejamos o quão triste é tudo aquilo, e como aquilo é importante, não existe comemoração na vitoria, não existe adrenalina na batalha, existe pavor, sobreviver é tudo o que conta, e o resultado do que aconteceu e sempre doloroso. E por imprimir esse realismo em um mundo tão fantástico quanto aquele o diretor merece todos os elogios do mundo. 
Certas cenas são memoráveis, e muitas delas estão dentre as melhores de toda a série, a professora Minerva participa da maioria delas, e é interessante ver como essa personagem que tinha sido esquecida, voltou com toda a força. E se é para falar de personagens, vamos começar por Draco Malfoy, que estava se tornando mais interessante a cada filme e aqui chega ao ápice, lutar contra si mesmo, especialmente no seu caso, deve ser algo dos mais difíceis que alguém ali poderia passar, embora não tão difícil quanto tudo o que Severus Snape passou. 
Se vocês leram as outras críticas vocês devem ter percebido que eu tenho um carinho especial para Severus Snape e para Alan Rickman (como eu acho que qualquer fã tem.), com certeza é o meu personagem preferido, e o que é o trabalho de Rickman nesse último filme, acho que perfeito não é dizer tudo, como sempre falando cada palavra como se fosse algo importantíssimo, afinal depois que tudo é explicado fica claro que tudo o que ele diz pode custar a sua vida ou o trabalho de sua vida se não for corretamente mensurado. Seu personagem é de uma beleza e de uma complexidade sem par e as memórias dele mostram isso de forma perfeita em tela, Severus era até mais honrado que Dumbledore no fim de tudo, e eu sei que é quase impossível de acontecer, mas me agradaria muito uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante para Alan Rickman.
Essa indicação também poderia vir para Ralph Fiennes, coisa que também me deixaria feliz, é interessante como os vilões, ou no caso de Snape os supostos vilões, são sempre personagens mais interessantes, Ralph Fiennes e Helena Bonham Carter estão incríveis em seus papeis, e seus personagens são dos mais memoráveis. 
A participação de Carter como uma Hermione depois de tomar a poção polissuco é uma das coisas mais hilárias do filme. Que apesar de ter seus momentos de comedia perde um pouco esse lado e se apega mais aos momentos catárticos, como o tão esperado beijo entre Ron e Hermione que arrancou gritos e aplauso da platéia, ou quando Neville finalmente mata a Nagini em uma das cenas mais heróicas do cinema recente.

Jim Broadbent, Emma Thompson e tantos outros aparecem aqui como ponta apenas, mas é sempre bom vê-los, alguns personagens fazem falta, mas é compreensível que não houvesse espaço para todos, mas as muitas referencias aos outros filmes da série deixam um sorriso no rosto de qualquer fã mais detalhista, como a flor que nasceu no primeiro beijo de Harry, o esqueleto do Basilisco ou ainda os Diabretes da Cornualha dentre muitos outras referencias escondidas aqui e ali.  
A direção de arte ficou mais competente do que nunca, afirmo até que fora um filme ou outro de Tim Burton, e outros como Desventuras em Série e filmes desse tipo, nenhum outro filme se compara em direção de arte com os últimos Harry Potters, chegando ao ápice nesse último filme da saga. A maquiagem também está perfeita, assim como os efeitos sonoros. E os efeitos especiais são os melhores vistos desde que... inventaram o cinema, tudo esta perfeito na produção e na técnica e ao lado de Senhor dos Anéis, Harry Potter alcançou o nível de melhor franquia em quesitos técnicos da história.

E se eu disse que a trilha sonora de Alexandre Desplat ficou excessivamente genérica na primeira parte de As relíquias da morte, nesse segundo filme é totalmente o oposto, a trilha de Desplat está vigorosa, melancólica e de um lirismo tocante e não deve nada a magistral trilha de Nicholas Hooper para O enigma do príncipe. (para mim ainda é a melhor trilha sonora da série.)
E o que falar do nosso trio preferido de personagens, Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint estão novamente perfeitos em seus papeis, mas se antes Rupert Grint roubava a cena, e se na primeira parte de Relíquias da morte a Emma Watson levou parte da cena, aqui foi a vez de Radcliffe realmente brilhar, apesar de estar cercado de excepcionais atuações como a de Alan Rickman, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter, Maggie Smith e outros, nenhum deles ofuscou em nenhum momento nosso protagonista, fazendo aqui o seu melhor trabalho até o momento e provando que mesmo que alguns duvidem, tem muito pelo frente.
Mas se tem alguém cujo trabalho futuro eu quero acompanhar é mesmo o de David Yates, se ele exibir o mesmo esmero e carinho para seus próximos filmes como ele exibiu nessa franquia ele será um dos melhores diretores da atualidade. Ele pode não ter corrido para o drama fácil e nesse caso necessário que todos esperavam para nos fazer chorar, mas como eu disse antes a última cena do filme é tão bela e solene, apesar de simplista, que levará qualquer fã as lágrimas, e apesar de por si só a cena ser emocionante apenas pelo seu texto, a forma como ele a transformou em imagem foi impecável.

Eu gostaria de prolongar ainda mais esse texto, para sentir ainda um último gosto de Harry Potter em minha mente, é difícil aceitar que acabou, mas esta na hora de deixar partir essa que podemos dizer que foi a maior (digo maior e não melhor) saga do cinema.

Então para terminar, se vocês querem uma definição do que é esse último filme, esqueçam a banalização atual da palavra ÉPICO que a internet e suas enormes variações de memes e manias vem promovendo e pensem no real sentido da palavra, Harry Potter e as relíquias da morte parte 2 é isso, épico e talvez lírico.
Só o que resta a dizer é obrigado Alfonso Cuaron por ter inovado uma série que não parecia ter um grande futuro artístico, obrigado Mike Newell por ter nos brindado com um bom capitulo no melhor estilo High Fantasy possível, obrigado até mesmo a Cris Columbus que apesar de tudo iniciou essa franquia de uma forma quase satisfatória, obrigado a Steve Kloves que mesmo com seus roteiros problemáticos mostrou uma dedicação incrível e fez o melhor que pode em todos os sentidos para a série, e obrigado principalmente a duas pessoas, primeiro David Yates por ter dado a visão definitiva, sombria e realista do que é Harry Potter nos cinemas e por ter nos dado os melhores filmes de fantasia dos últimos anos, e por último obrigado a maravilhosa J.K.Rowling, pois sem ela nada seria possível.


sábado, 16 de julho de 2011

O Oscar das Séries de TV, ja anunciou SEUS indicados parágrafo um deste Ano Premiação. Nesta 63 ª edição, o Evento soros Apresentado Por Joshua Jackson, de Fringe e Melissa MacCarthy, de Mike & Molly.
Entre OS indicados, OS destaques ficam parágrafo Jogo dos Tronos, Homens Boardwalk Empire e Mad. E nao era por Menos: ESSA trinca forma UMA das MELHORES Experiências Que PODEMOS encontrar na TV Hoje em dia. Pra variar, a HBO carimba Seu Selo de Qualidade Indicações also NAS do Emmy, afinal, Tanto Game of Thrones Boardwalk Empire QUANTO São produzidas Pela Emissora. Somados, a HBO acumula 104 Indicações. Tá bom UO Quer Mais?
Os Vencedores anunciados Serao 18 de setembro los. Confiram uma Lista de indicados:

Série de Comédia

The Big Bang Theory
Alegria
Família moderna
O Escritório
Parks and Recreation
30 Rock

Série de Drama

Boardwalk Empire
Dexter
Noite Luzes sexta-feira
Game of Thrones
The Good Wife
Mad Men

Melhor Atriz Comédia los

Laura Linney, The Big C
Edie Falco, Nurse Jackie
Amy Poehler, Parks and Recreation
Melissa McCarthy, Mike & Molly
Martha Plimpton, Hope Raising
Tina Fey, 30 Rock

Melhor Ator Comédia los

Matt LeBlanc, Episódios
Jim Parsons, The Big Bang Theory
Steve Carell, The Office
Johnny Galecki, The Big Bang Theory
Louis CK, Louie
Alec Baldwin, 30 Rock

Melhor Ator Drama los

Steve Buscemi, Boardwalk Empire
Michael C. Hall, Dexter
Kyle Chandler, Friday Night Lights
Jon Hamm, Mad Men
Hugh Laurie, House
Timothy Olyphant, Justified

Melhor Atriz Drama los

Elisabeth Moss, Mad Men
Connie Britton, Friday Night Lights
Mariska Hargitay, Law & Order: SVU
Mireille Enos, The Killing
Julianna Margulies, The Good Wife
Kathy Bates, a Lei de Harry

Ator Coadjuvante los Comédia

Jon Cryer, Two and a Half Men
Chris Colfer, Glee
Jesse Tyler Ferguson, Modern Family
Ed O'Neill, Modern Family
Eric Stonestreet, Modern Family
Ty Burrell, Modern Family

Ator Coadjuvante Drama los

John Slattery, Mad Men
Andre Braugher, Men of a Certain Age
Walton Goggins, Justified
Peter Dinklage, Game of Thrones
Josh Charles, The Good Wife
Alan Cumming, The Good Wife

Atriz Coadjuvante los Comédia

Jane Lynch, Glee
Betty White, Hot em Cleveland
Julie Bowen, Modern Family
Kristen Wiig, Saturday Night Live
Jane Krakowski, 30 Rock
Sofia Vergara, Modern Family

Atriz Coadjuvante los Drama

Kelly Macdonald, Boardwalk Empire
Christina Hendricks, Mad Men
Michelle Forbes, The Killing
Archie Panjabi, The Good Wife
Margo Martindale, Justified

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crítica: Os Pinguins do Papai traz Jim Carrey de volta a comédia
Os Pinguins do Papai (Mr. Popper’s Penguins)
Há tempos que Hollywood usa animais em filmes “família” de comédia para encantar os espectadores apostando na fofura e no carisma dos bichinhos. Espetacularmente, o truque simples provou uma eficiência jamais vista alavancando os lucros medianos dos filmes de comédia. Este movimento de “animalização” dos elencos estelares foi muito expressivo nos anos 90, mas existia desde os anos 50 com o seriado jumbo “Lassie”. Eu vivenciei esse evento e a Sessão da Tarde encontrou uma nova mina de ouro. “Free Willy”, “Um Ratinho Encrenqueiro”, “Dr. Dolittle”, “Babe”, “Ace Ventura”, “Stuart Little”, “Jumanji” e o arrasa quarteirão “Beethoven” e suas infinitas sequencias são os melhores exemplos dos filmes que participaram deste movimento. Fracasso nas críticas, sucesso nas bilheterias. Nunca os opostos estiveram tão atraídos como naquela época. Contudo, o tempo falou mais alto e esse subgênero trilhou para a extinção. Outros filmes surgiram nos anos 2000 como “Scooby-Doo” e “Garfield”, mas o resultado não era o mesmo. E agora, em outra década, o tema ressurge com o amigável “Os Pinguins do Papai”.
Mr. Popper é um empreendedor da agitada cidade de Nova Iorque. Divorciado e sem tempo para os filhos, Popper dedica tudo de si para garantir o almejado sucesso na profissão. Os donos da companhia em que trabalha lançam um desafio para promovê-lo a sócio. Popper terá que convencer Mrs. Van Gundy a vender o único estabelecimento privado anexado ao Central Park. Extasiado, Popper aceita a fim de provar sua competência profissional exemplar. Porém, não contava com a inusitada herança que seu pai havia deixado. Chegando a seu apartamento, recebe seu presente com absoluta perplexidade – seis pinguins vivos. O que ele não espera é que essas elegantes aves deixem sua vida de cabeça para baixo mudando radicalmente sua rotina.
Saindo da geladeira
O roteiro de Sean Anders, John Morris e Jared Stern é baseado no livro homônimo de 1938 escrito por Richard e Florence Atwater. O espectador que espera uma retratação fiel do livro sairá desapontado. Os roteiristas praticamente esqueceram a obra original para encaixar a história ao séc. XXI. Com isso, conseguem entregar uma história relativamente interessante que prende a atenção do espectador.
A história certamente é inspirada nos filmes de Frank Capra, principalmente por “A Felicidade não se Compra”. Com tantas comédias inspiradas pelas obras do cineasta, o filme cai logo em clichês nos primeiros minutos (isso, claro, não aconteceu com os filmes do Capra). A mensagem que o roteiro transmite é a mesma de vários outros filmes: dê valor aos momentos realmente importantes da vida. Os conflitos também são clichês — o homem que não se relaciona com a família por causa do excesso de trabalho, a adolescente devota ao amor platônico não correspondido e a mulher que se arrisca em um relacionamento incerto.
O roteiro também peca pela previsibilidade do arco narrativo. Em filmes como este é óbvio que tudo vai acabar muito bem para os protagonistas, afinal ninguém quer traumatizar as crianças com histórias extremamente depressivas sobre pinguins. Também prevalece o antigo padrão de reviravoltas herdados do gênero. A criatividade somente aparece com alguns personagens e com os pinguins.
A assistente de Mr. Popper, Pippi, garante algumas piadas inteligentes graças à aliteração em P de suas falas. O porteiro do prédio em que o protagonista mora também garante boas risadas. Às vezes, os roteiristas arriscam algumas piadas carregadas de ironia, porém são raras na escrita. Eles proporcionam piadas para todos os gostos. Existem as piadas pastelões, sutis, escatológicas e as inteligentes. Cada um dos seis pinguins garante um estilo humorístico diferente. Capitã, Fedô, Lesado, Dengo, Bicão e Matraca são os pinguins de Mr. Popper.
Obviamente, as piadas escatológicas começam a cansar depois de certo tempo assim como as pastelões. Felizmente, o roteiro consegue cumprir dois conflitos interessantes. O único pinguim que possui um conflito é Capitã. Pelo menos, este se revela ser o único original e melhor arquitetado do filme inteiro. Já Mr. Popper tem uma narrativa secundária paralela. Mesmo que caia no clichê, o conflito parental entre o protagonista e seu pai desperta a curiosidade do espectador.
Apesar de ser clichê, previsível e obsoleto, o roteiro cumpre sua função. Existem poucas falhas e alguns empecilhos desnecessários na narrativa, mas isto não tira a diversão do filme. Os roteiristas apostam no carisma dos pinguins e acertamem cheio. Elesdivertem a plateia a todo instante tornando a sessão rápida, fácil e divertida para os pequenos e também para os adultos. Eles até fazem uma analogia inevitável entre os pinguins e Charles Chaplin e uma inteligente relação entre eles com os filmes do ator.
Jim Carrey e os seis pinguins
É incrível notar como Jim Carrey melhorou em seu desempenho nos papéis, ultimamente. O ator evolui com seus filmes, apesar de ter regredido depois de “O Show de Truman” em “Eu, Eu Mesmo e Irene” e “O Grinch”. Depois de uma atuação imperdível em “I Love You, Phillip Morris”, Carrey retorna às telonas com um desempenho que segura o filme inteiro.
Sua atuação está mais contida e muito menos exagerada. As caretas típicas do ator raramente aparecem. Sua expressão facial está mais bem trabalhada e natural removendo aquela artificialidade cômica dos excessos do ator. A experiência com dramas faz com que Carrey consiga construir expressões de tristeza exemplares. Isso também é reforçado pela idade do ator. A velhice caiu muito bem para Jim Carrey. Graças às expressões faciais exageradas, o ator modelou linhas de expressão únicas e, com isso, proporciona uma dramaticidade interessante para a cena. Os gestos bruscos e rápidos do ator também aparecem em carga menor.
Ele também encontra oportunidade de improvisar em diversas cenas. Além disso, faz sua famosa imitação de James Stewart em determinada cena. A expressão corporal do ator não é tão trabalhada quanto a facial passando praticamente despercebida. Ela apenas ganha relevância no momento em que Carrey coreografa uma dancinha com seus pinguins ou quando imita os passos tortuosos das elegantes aves. Os gestos bruscos e rápidos característicos do ator continuam presentes.
Carla Gugino pouco desenvolve sua personagem. Não há a mínima relevância dissertar sobre sua atuação. Clark Gregg, o famoso agente Coulson da S.H.I.E.L.D. em filmes da Marvel, também não surpreende durante suas cenas. Ele encarna o fraco antagonista do filme. Gregg praticamente mantém a mesma expressão durante o longa inteiro e falha ao não conseguir proporcionar a importância da ameaça que seu personagem propõe para o protagonista.
Quem rouba a cena é a veterana Angela Lansbury. Sua atuação elegante e serena conquista em poucos instantes. Ophelia Lovibond também se destaca pelo atrativo do sotaque inglês refinado. Jeffrey Tambor, Philip Baker Hall, Madeline Caroll, James Tupper, Maxwell Cotton e William Mitchell completam o elenco. Todavia, a verdade nua e crua sobre este filme é que Jim Carrey o carrega nas costas.
As cores gélidas do inverno
Se todos os filmes de comédia tivessem o cuidado fotográfico de “Se Beber, Não Case”, seria mais interessante comentar este aspecto nesse gênero. Por mais incrível que pareça, “Os Pinguins do Papai” possui uma fotografia bem feita. Quem assina essa área importantíssima do filme é Florian Ballhaus que já está habituado a modelar a iluminação de filmes de comédia.
A iluminação bucólica de Ballhaus tende aos tons acinzentados, brancos, frios e pálidos. Essa palheta de cores combinada com a modelagem sutil e delicada de luz quase teatral combinam com o tema do filme. A história se passa no inverno de New York e os pinguins estão diretamente ligados ao frio. No início do filme, prevalecem os tons gélidos já citados, contextualizando a situação triste do impasse familiar que o protagonista vive. O resultado é bonito e clássico conversando com a imagem dos pinguins.
O único problema da fotografia é a insistência em não saturar nenhuma cor. Tudo é polido e higiênico o filme inteiro. Nem mesmo quando o protagonista está resolvendo o conflito familiar, as cores mudam prevalecendo o estilo monocromático da fotografia. Raras vezes pude observar Ballhaus usar algum recurso estilístico técnico. Desfoques são escassos e os reflexos, inexistentes. Às vezes, o cinegrafista joga neve na imagem. Isso acontece muito no segundo ato do filme para resolver a questão da escolha duvidosa de não saturar as cores. O branco da neve flutuante e a do solo indicam para o espectador, sucintamente, que Mr. Popper está encontrando um momento de paz na sua vida instável.
Os tons somente mudam durante o clímax e no epílogo sendo que este possui uma modelagem de luz absolutamente fantástica. A direção de arte também tende para as cores brancas, pretas e cinza metálico na composição dos cenários. Novamente, as escolhas das cores arremetem a figura do pinguim. O destaque fica por conta da transformação extremamente criativa que a equipe realiza na sala de estar de Mr. Popper.
O figurino também é um aspecto relevante que merece a atenção do espectador. Repare que todas as vestimentas, muito bonitas e elegantes em sua maioria, do protagonista também inferem ao pinguim com seus tons brancos, pretos e cinzas. A melhor coisa que o filme tem a oferecer ao público, além de Jim Carrey, são os pinguins. Em algumas cenas, são utilizadas aves reais enquanto em outras, a equipe de computação gráfica recria os bichinhos com competência. Graças a essa modelagem em CG dos pinguins, os animadores tiveram a oportunidade de criar expressões únicas para aves roubando vários gemidos açucarados da plateia – “ownnnnn!” é o melhor exemplo. Cada um dos pinguins tem seu charme e carisma. Não é exagero dizer que todos são fofinhos, bonitinhos e levam a imaginação das crianças para as alturas.
Conquistando pela ousadia
É extremamente comum assistir vários filmes de comédia e quase nunca notar a existência de uma trilha sonora original, salvo “O Amor Não Tira Férias”. Na maioria de filmes deste gênero quem prevalece é a trilha licenciada. Caminhando para a evolução, muito provavelmente por causa do diretor Mark Waters, o filme possui somente trilha original.
Como todo filme que se passa em Nova Iorque, o compositor Rolfe Kent se inspira em “Rhapsody in Blue” de Gershwin – música tema de “Manhattan”, dirigido por Woody Allen. Então não é incomum escutar composições que lembram ligeiramente a clássica composição de Gershwin, principalmente pelo belo som do piano. A maioria das músicas não é expressiva o suficiente a ponto de chamar a atenção do espectador. As que funcionam perfeitamente na cena são as melodramáticas.
Entretanto, as composições de Rolfe Kent tem um apelo infantil que também recordam algumas composições de filmes da Disney – sem as cantorias inesquecíveis dos filmes da companhia. Elas também não são muito complexas – basicamente são compostas por uma variação satisfatória de escalas e tons musicais enquanto outro instrumento, muitas vezes o trombone ou o trompete, repete a mesma nota ou escala.
O legal da trilha de Kent é que ele utiliza flautas em diversas de suas composições – o instrumento raramente aparece em trilhas sonoras atuais. A flauta é um atrativo a mais em sua música. Felizmente, a música também não esquece dos pinguins. O ritmo musical de algumas composições lembram os passos errôneos e irregulares da criatura. O compositor cumpre sua função e consegue entregar uma trilha agradável que encaixa nas cenas sem problemas.
Promessa criativa 
Mark Water é um diretor inteligente. Sua direção em “As Crônicas de Spiderwick” e “E Se Fosse Verdade” é exemplar, divertida e lembrada pela grande criatividade do diretor. Aqui a história se repete. O diretor tem pulso o suficiente para controlar os excessos de Jim Carrey, mas falha em não conseguir extrair o melhor dos bons atores coadjuvantes.
A criatividade do diretor aparece logo no início do filme quando Mr. Popper conta uma história apaixonada sobre desbravar os sete mares para um empresário. Na cena, o diretor pede para que seus atores interajam com elementos do cenário a fim de criar uma atmosfera divertida para a cena. Ao remendar com os toques finais da pós-produção, o resultado torna-se único.
Entretanto, Water eleva sua criatividade com a entrada dos pinguins na história. Algumas das características de sua direção são muito sutis. Por exemplo, em determinada cena, Mr. Popper acorda com os pinguins dormindo em sua cama. Lá é possível observar que um deles está babando na fronha do travesseiro, outro está parcialmente coberto pelo cobertor e assim por diante. Outras vezes o diretor opta pelo exagero cômico. Isso acontece quando o diretor insere um close-up exagerado na face de um pinguim enquanto este canta – acredite, este é o termo adequado ao barulho infernal que esta ave emite.  O exagero aparece logo no plano seguinte que enquadra Carrey e o pinguim. No plano, é possível observar os cabelos esvoaçarem por causa do canto do animal. O exagero é acompanhado do ridículo e este causa as risadas incessantes do espectador.
A criatividade do diretor também aparece em outras cenas. A interação dos pinguins com instrumentos cotidianos garante boas risadas. Até mesmo a construção de algumas cenas é inspirada. A que se passa no museu Guggenheim é o melhor exemplo disto. O segmento possui muita informação visual e várias piadas acontecendo ao mesmo tempo, mas isto não é um problema para o espectador no caso. Waters deixa os planos abertos com uma duração consideravelmente maior para que os espectadores possam perceber tudo que ocorre na tela.
A edição do diretor também prova sua eficiência pelo manejo muito bom do ritmo do filme. Os enquadramentos são interessantes, principalmente os que capturam a imagem de Jim Carrey. Repare que no início do filme, raramente Mr. Popper aparece junto de outro personagem na imagem. O cineasta isola Carrey a fim de reforçar a vida solitária do homem. Isso vai mudando progressivamente a partir que os pinguins entram na história do filme.
Aquecendo seu inverno congelado
“Os Pinguins do Papai” é um filme agradável, divertido, doce, rápido e bonitinho. Ele não é insuportável mesmo com a ambientação narrativa excessivamente clichê e previsível. A maioria das piadas funciona e tenho certeza que devem divertir seu público alvo. Se estiver cansado de tantas animações 3D cheias de explosões, leve seu filho para conferir este novo longa com Jim Carrey. Ou se tiver tempo sobrando e nada para fazer, dê uma chance ao filme e vá sozinho. Os fãs do comediante também devem dar uma olhada no retorno de Carrey para o gênero que alavancou sua carreira. O filme não é um completo desastre, mas certamente poderia ter saído bem melhor. Só tenha cuidado para não ter um ataque de hiperglicemia no meio da sessão por causa do extremo ataque de fofura dos pinguins.
NOTA: 3.0/5.0